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Com festa de melodias e luzes, UEPG realiza 35º FUC em formato inédito

A edição marca um novo tempo para o Festival da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG)

Com festa de melodias e luzes, UEPG realiza 35º FUC em formato inédito. Foto: Divulgação/UEPG

Música não faltou na noite de 17 de junho, no Cine-Teatro Ópera. Do início ao fim, o 35º Festival Universitário da Canção (FUC) aconteceu com variedade de estilos musicais, festa de luzes, composições próprias e emoção. A edição marca um novo tempo para o Festival da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), que aconteceu com o retorno dos abraços sem o receio da pandemia, para curtir as 12 canções apresentadas e o show da banda convidada Francisco, El Hombre.


No início, música

Logo na entrada, música. Com os ingressos em mãos – que esgotaram no dia anterior – os espectadores se dirigiam para os assentos ao som da discotecagem do DJ Johnny Freitas. Enquanto tomavam os lugares, os presentes conheceram o novo cenário do FUC, todo decorado com luzes Led, planejadas pelo iluminador profissional Lucas Amado, de Curitiba. A cada momento ou música apresentada, as luzes tomavam cores diferentes, para introduzir um novo clima no ambiente. O Festival começou com apresentação de Vivian Bueno, vencedora da 34ª edição, e Julio Mano, que homenagearam as cantoras Rita Lee e Gal Costa (in memorian). As homenagens se estenderam a Helcio Kovaleski e Flávio Fanucci, ativistas culturais que acompanharam as edições dos Festivais da Canção e Nacional de Teatro (Fenata).


O sucesso se refletiu no número de presentes: foram 700 ingressos no total, entre vendidos e distribuídos. A plateia assistiu à apresentação da jurada Geanine Romanovski, com a música “Fusão de Duas Gerações”, que deu a ela o prêmio do FUC em 1983. Retornar ao Festival 40 anos depois foi uma alegria e emoção grandes para ela. “É um privilégio subir ao palco cantando a música de uma forma totalmente diferente e numa outra posição. É uma responsabilidade também por ser júri, mas sempre uma alegria muito grande. Meu coração está explodindo de emoção”, descreve musicista, que veio de Palmas, Tocantins, para o FUC. O melhor do FUC, segundo Geanine, é a coragem que os intérpretes têm de subir ao palco. “E nós estamos aqui para apoiar, para fazer o nosso melhor, e estar aqui é muito significativo, pois foi aqui que comecei minha carreira em Festivais”, adiciona.


O FUC 2023 é um Festival de renovação, para o reitor da UEPG, professor Miguel Sanches Neto. “No ano passado, nós tivemos um fluxo um pouco abafado pelas máscaras e limitação de pessoas na plateia. E esse ano estamos sem máscaras. Estamos aqui para cantar a plenos pulmões todas as músicas”, celebra. Alegria é a palavra de ordem. “Alegria por estarmos vivos, por cultuarmos a arte, por estarmos em um país mais democrático e defendermos a cultura, porque defendemos a universidade pública, a educação, o meio ambiente e os direitos humanos”, destaca.


A UEPG é um expoente e um celeiro para revelação de novos artistas, para Sanches Neto. “A instituição está de parabéns pelo que aconteceu aqui, com uma diversidade muito grande de estilos. Historicamente, sempre fomos um celeiro de talentos em várias áreas e na música não poderia ser diferente”. O fato do 35º FUC ser regional contribuiu para a valorização de artistas locais. “O FUC sempre foi um espaço para que talentos se manifestassem e agora, com esse foco regional, nós conseguimos, mais do que em outras épocas, valorizar os talentos locais”, completa o reitor.


O FUC nunca foi tão diverso. As músicas concorrentes serviram estilos diferentes a cada troca de músicos no palco. Segundo o diretor de Assuntos Culturais da UEPG, a diversidade foi o objetivo desde a seleção. “Trouxemos uma nova perspectiva para o FUC, pudemos ver a qualidade dos artistas, com uma variedade de estilos dos compositores. As coisas não poderiam ter acontecido de melhor forma”, comemora. Para 2024, já há planejamento de novidades, como o FUC para crianças e a perspectiva do retorno da etapa nacional. “Que siga sendo um Festival integrador na participação das pessoas, como foi este, em que a gente viu subirem ao palco uma diversidade de estilos, letras e sentimentos”, completa.


Durante, música

Com a apresentação alegre e dinâmica de Vitor Salmazo, da Rádio Mundo Livre FM, os concorrentes foram anunciados de forma efusiva, com aplausos e gritos de apoio da plateia. Subiram ao palco os concorrentes Amanda Kristin & Gafanhoto, com “Brinde”; Banda 3Madru, com “Aprendi Amar”; Banda Casa Cantante, com “Carta Aberta Ao Mundo em Ré Maior”; Banda Chave de Mandril, com “Bate Palma; Duoduke, com “Menina Mulher; Eulimo, com “Felicidade – a autocinesia”; Fernanda Correa, com “Estrada de Fé”; Grupo Samba de Dendê, com “Samba de Terreiro”, Lorinezz, com “Não Quero Ser Mais Uma”; MUM, com “Sanguinária”; Silvestre Alves, com “Acalanto Princesino”; e William Braz, com “Minha Pele”.


Cada apresentação contava com um planejamento de iluminação diferente, que acompanhava o tom da letra e melodia. Ao início das músicas, um vídeo, produzido pela Coordenadoria de Comunicação da UEPG, introduzia para os presentes a história do cantor e o contexto da composição. Ao final da etapa competitiva, os jurados Geanine Romanovski, Íria Braga e Thiago Xavier de Abreu se reuniram no camarim para definirem as notas e os vencedores. Para Íria, escolher um vencedor é uma alegria e responsabilidade. “A gente está lidando com sensibilidades, com criação e é tudo tão delicado, então é uma responsabilidade muito grande lidar com esses universos. É muita diversidade. São pessoas com criatividade e potenciais incríveis”, descreve. É um desafio, para o jurado, dar nota para a criatividade. “Mas se trata de uma questão competitiva, então alguém vai ter que ganhar. Mas eu acredito que todos e todas são mega ganhadores em estarem aqui mostrando suas músicas e nos emocionando essa noite. É um prazer estar aqui. A pessoa já é uma vencedora por estar no palco”, acrescenta.


Ter a ousadia de mostrar sua arte para uma plateia cheia já é motivo de vitória, para Geanine. “A gente percebeu, em cada apresentação, um trabalho musical em cima. O fato da pessoa entrar, ter a coragem de subir no palco, já é um grande avanço”, ressalta. A diversidade musical também marcou Geanine. “Deixou o evento mais rico e eu acho que o FUC evoluiu com o passar dos tempos e isso garantiu uma grande gama de ritmos e origens musicais no palco. Eu fiquei encantada de ver essa diversidade que aconteceu hoje”.


O alto nível do Festival também foi destaque na fala de Thiago. “Isso mostra que a região dos Campos Gerais tem uma produção musical muito interessante, muito consistente em diversos gêneros e a responsabilidade de avaliar isso é muito difícil”, salienta. Quanto mais alto nível, mais difícil é avaliar o potencial criativo para um jurado. “O que a gente se prende é tentar garantir uma certa objetividade da análise, tentar utilizar os critérios que já são dados pelo próprio edital e tentar fazer a análise mais objetiva possível para tentar ser mais justo também”. Os jurados saíram tocados pela arte e pela música, segundo ele. “A música tem uma centralidade muito grande nessa coisa do acontecimento. Isso está acontecendo em cima do palco, pois todo mundo está subindo lá e mostrando sua arte”.


Do camarim para a plateia, o sentimento de emoção pelas apresentações era o mesmo. Nelci Correa assistiu à apresentação da filha com orgulho. “É emocionante demais. A gente fica naquela expectativa, pedindo a Deus que seja feita a vontade dele, porque talento e graças a Deus ela tem”, descreve. Fernanda Correa teve da família suas maiores referências musicais. “Eu sou cantora e meu marido também é músico, então desde pequenininha a Fernanda sempre teve esse contato com a música, então estou aqui na torcida, com certeza”.


Ao contrário de Nelci, era a primeira vez de Bruna Tsalikis na plateia do FUC. “Achei tudo maravilhoso no Festival. Algumas bandas eu já conhecia, mas aqui é outra coisa, porque a música é deles”. Os intérpretes, segundo Bruna, conseguiram passar suas mensagens por meio das músicas. “Deu pra ver que eles fizeram a partir de uma dor pra mostrar pra sociedade uma mensagem. Ponta Grossa e região tem uma diversidade muito grande de estilos, de vivências musicais e tá tudo fenomenal”.


Ao final, música Quando MUM subiu ao palco, ao lado da tecladista Aline Garabeli, a energia mudou. O tema da música “Sanguinária”, que trata de violências que mulheres sofrem diariamente, arrebatou o público, que aplaudiu em pé ao final da apresentação. A vivacidade da apresentação se refletiu na preferência do público, que deu o prêmio Júri Popular para MUM, com 145 votos, dos 469 válidos. A música, além de ser para a artista, também é para todas as mulheres, segundo MUM. “Carrego muita coisa de todas as minhas ancestrais, de avós, bisavós, mães e filhas. Essa música é para todas as mulheres, pra todas as identidades femininas, é para elas e por elas”, conta emocionada.


Na apresentação, MUM estava caracterizada como uma alguém que sangra. Os gestos, como tirar a peruca e limpar a maquiagem, buscavam afirmar a identidade de mulher da intérprete. “Foi uma descarga de adrenalina gigantesca pra mim. Acho que toda essa energia da plateia do veio pra mim de uma forma muito grande, e recebi isso. Quando eu acabei a apresentação, eu só desabei”.

Logo após ser premiada com o prêmio popular, MUM foi agraciada com o primeiro lugar do FUC 2023. Para ela, Sanguinária é a melhor canção da sua carreira até agora. “Essa música, independentemente dos prêmios, precisava ser escutada pelas pessoas. Eu sou muito grata por dar um recado que às vezes muitas pessoas têm receio de mostrar”, ressalta. Em segundo lugar, também veio uma composição sobre vivências femininas. “Não quero ser mais uma”, de Lorinezz, tratou de experiências da cantora. “Muitas pessoas acreditaram que eu estaria aqui hoje, as outras me incentivarem a estar aqui. Hoje eu quero agradecer a todos vocês por terem gostado de me ouvir. Obrigada!”, celebrou a artista.

Para Eulimo, o 35º FUC foi uma dobradinha da edição anterior. Assim como em 2022, ele recebeu o prêmio de melhor intérprete – desta vez, com a música autoral “Felicidade – a autocinesia”. “Essa música não é romântica, escrevi como se eu estivesse falando com Deus, mas as pessoas me dizem que quando ouvem acabam lembrando do namorado. Então, muitos acabam dando sua própria interpretação, o que me deixa muito feliz”. Apesar da experiência com o FUC, o frio na barriga permaneceu. “Eu estava tremendo aqui. Eu peguei no microfone, coloquei o pedestal, eu falei meu Deus, e agora? Eu fico muito feliz que uma música minha, composta completamente por mim e com a minha voz, tenha encantado os jurados dessa forma”, completa.


Na premiação, música Na hora de anunciar os premiados, também teve música. O Coro Cidade de Ponta Grossa, após cantar um trecho de cada canção concorrente, também embalou o anúncio dos vencedores com melodia. Nesta edição, ainda teve premiação por júri popular no Instagram, que deu o prêmio para o grupo 3Madru, que interpretou a musica “Aprendi Amar”. As letras de todos os concorrentes podem ser conferidas aqui.


Primeiro Lugar: “Sanguinária”, de MUM;

Segundo Lugar: “Não Quero Ser Mais Uma”, de Lorinezz;

Terceiro Lugar: “Bate Palma”, de Chave de Mandril;

Melhor Letra: “Brinde”, de Amanda Kristin e Gafanhoto;

Melhor interpretação: Eulimo, pela canção “Felicidade – a autocinesia”;

Prêmio Aclamação Popular: “Sanguinária”, de MUM;

Prêmio Júri Instagram: “Aprendi Amar”, de 3Madru.


O 35º FUC

O Festival tem o patrocínio master da Belgotex do Brasil e patrocínio da Unimed Ponta Grossa, Premium Vila Velha Hotel e Cresol, com incentivo da Prefeitura de Ponta Grossa por meio do Programa Municipal de Incentivo Fiscal à Cultura (Promific), da Secretaria Municipal de Cultura e Conselho Municipal de Política Cultural; e da Lei de Incentivo a Eventos Geradores de Fluxo Turístico, da Secretaria Municipal de Turismo e Conselho Municipal de Turismo. A produção é da Estratégia Projetos Criativos e a promoção da RPC.

Fotos: Aline Jasper e Jéssica Natal


Da Assessoria


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