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Aluno egresso da UEPG tem tese de doutorado indicada a prêmio da Capes

Desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Geografia da UEPG, a tese de Renato aconteceu a partir da metodologia da imersão, em convivência com comunidades rurais, especialmente faxinaleses e quilombolas

Aluno egresso da UEPG tem tese de doutorado indicada a prêmio da Capes. Foto: Tanize Tomasi


Uma estrada rural entre topos de morros e vales, rodeada por vegetação remanescente da Floresta de Araucária. Essa foi a vista que Renato Pereira admirou por mais de 60 dias. O resultado da experiência rendeu a tese de doutorado ‘Entre valos e vêdos: territorialidades de permanência dos sujeitos das comunidades tradicionais rurais da Estrada da Lomba, Paraná’. Com a publicação, o aluno egresso da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) teve seu trabalho indicado ao Prêmio Nacional Capes Tese 2023.


A defesa da tese aconteceu em dia 30 de setembro. Desenvolvida no Programa de Pós-Graduação em Geografia da UEPG, a tese de Renato aconteceu a partir da metodologia da imersão, em convivência com comunidades rurais, especialmente faxinaleses e quilombolas. A partir da pesquisa oral e documental, o trabalho focou nos saberes-fazeres, religiosidade, ancestralidade e historicidade.


“Foi uma surpresa quando os membros da banca ressaltaram a importância da temática e a qualidade do texto, para concorrer ao prêmio da Capes”, conta Renato. O trabalho buscou mostrar o que as comunidades tradicionais que nasceram pela Estrada do Lomba possuem de mais importante em suas territorialidades de permanência, que perduram ao longo do tempo e do espaço. “Minha motivação aumentou à medida em que eu acessava as diversas formações familiares que constituíram a Estrada da Lomba, a partir do final dos anos 1700, como o casal Natária e Silverio, um dos indivíduos originários do território”, recorda.


A pesquisa

Foi a partir do estudo da genealogia dos núcleos familiares que a tese ganhou corpo. “Depois de diversas passagens pelos lugares, comecei a perceber pequenos roçados tradicionais, as hortas, os quintais e os criadouros comunitários”. Toda essa paisagem fica nos Campos Gerais, na confluência dos limites do Distrito de Itaiacoca (Ponta Grossa) e Distrito de Três Córregos (Campo Largo).


Aos poucos, os pequenos agrupamentos comunitários que vivem próximas Passo do Pupo, Distrito de Itaiacoca, se tornaram mais visíveis no mapa de campo de Renato. A memória visual de toda a paisagem está viva na cabeça e coração do pesquisador, o qual consegue descrever em detalhes: “Lembro dos moledros na beira da estrada, do cerradinho, do cemitério. Depois que se passa da sede do Crutac da UEPG, uma curva sinuosa exibe para-choques de automóveis nas sarjetas, depois o Mato Queimado, Pinheiro Bonito, o atoleiro e serra acima, Sete Saltos de Cima, Palmital dos Pretos e Sete Saltos de Baixo”, relembra.


Os dias em campo promoveram experiências pela Estrada da Lomba, especialmente pelos caminhos ocultos pelo mapa. “A Estrada da Lomba não surgiu apenas como um conceito, pois é uma via de passagem das terras mais interioranas de Ponta Grossa e Campo Largo, revelando a espontaneidade com que antigos núcleos familiares se consolidaram em agrupamentos comunitários ao longo dos anos”, informa.


Com o estudo, Renato conheceu novos lugares e pessoas. “Como a benzedeira Domingas “Coita” e o curandeiro Dário Branca, que fazia curas com galhos de Espinheira Santa. Visitamos lideranças quilombolas e agricultores que valorizam a agricultura de base ancestral”. O trabalho para a tese também rendeu participação em mutirões em manhãs frias de inverno. “Até coletamos capim para fazer a cobertura para a casa de barro e sapé, projetada pelo líder quilombola”, recorda.


A convivência com as comunidades se aprofundou no passar do tempo. Renato acompanhou as atividades da roça, a sapecada da erva-mate, a colheita do milho em bandeira e dos mutirões para “maiar” feijão. “Coletei capim-estrepe para cobertura de uma casa, participei da manutenção dos valos e dos vêdos, da confecção das cestarias, da festa de santo, da celebração da vida na agricultura familiar, da festa de padroeiro, das carneações, dos carreiros com os mateiros, das roçadas, dos carreiros de lenha, das rodas de chimarrão, das plantações e colheitas”, conta.


Conexão

A história com a UEPG iniciou quando Renato tinha 12 anos, por meio da Escola de Guardas Mirins Tenente Antonio João. “Inúmeras pessoas contribuíram para o meu aperfeiçoamento profissional e, ao mesmo tempo, me incentivaram a continuar estudando”, conta. Com a aprovação no Vestibular de Licenciatura em Geografia, em 2007, veio convivência com professores lideranças universitárias, estudantes de graduação, mestrado e doutorado.


Na instituição, Renato também desenvolveu o gosto de trabalhar com cultura. “Fui gestor cultural e atualmente tenho uma editora, a Editora Panaro, em sociedade com minha esposa, a professora Tanize Tomasi, que me acompanhou durante toda a pesquisa de campo, nas imersões, já que também estava realizando pós-doutorado”. A experiência da pesquisa desenvolveu em Renato o gosto pela leitura e escrita – o que rendeu publicações como ‘Duas casas para decorar’; ‘Mãe d’água’; ‘O time de Cuco’; e ‘Onde nascem as borboletas’. Atualmente, ele é membro-fundador da cadeira nº 10 e vice-presidente da Academia de Letras do Noroeste do Rio Grande do Sul – Alenrio.


Lá no fundo, a tese sempre esteve conectada com a história Renato. “A partir da minha própria família, conduzi a investigação para compreender os processos migratórios de inúmeros núcleos familiares paulistas e mineiros desde o século 19. Em 1985, ano em que nasci, meu núcleo familiar migrou para Ponta Grossa, no centro-leste do Estado do Paraná”.


Ao revisitar a tese, depois da escrita, Renato reflete sobre a amplitude do estudo e a importância da permanência dos sujeitos em seus contextos, dos seus modos de viver e habitar. “No fundo, estamos falando de nossa própria história, que foi sendo invisibilizada ao longo do tempo. Este Brasil que nunca esteve nas bibliografias passou a fazer parte de um estudo acadêmico”, destaca. O Renato, que quis escrever as trajetórias das vidas em encontro, pela genealogia, iniciou com um projeto de tese e saiu com o coração aquecido pelos encontros. “Penso que a Geografia deve gostar de gente e a UEPG permitiu que este trabalho acontecesse”, finaliza.


Da Assessoria

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