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Acadêmicos lançam cartilhas bilíngues de saúde

O evento de lançamento celebrou o Dia dos Povos Indígenas

O material das cartilhas é resultado de trabalhos de conclusão de curso, projetos de extensão e pesquisas de iniciação científica das áreas de saúde. Foto: Fabio Ansolin

O Centro Acadêmico Indígena (CAI) e o Coletivo de Estudos e Ações Indígenas (CEAI), em parceria com a Pró-reitoria de Assuntos Estudantis da Universidade Estadual de Ponta Grossa (Prae-UEPG), criaram cartilhas bilíngues de conscientização sobre saúde. O evento de lançamento celebrou o Dia dos Povos Indígenas, comemorado ontem (19).


“Essas cartilhas são o resultado da presença desses egressos da UEPG e também refletem a política da Universidade de valorizar a cultura, a língua e a representação do indígena na sociedade paranaense”, considera o reitor da UEPG Miguel Sanches Neto.


Para a pró-reitora de Assuntos Estudantis, Ione Jovino, o evento simboliza a inserção dos acadêmicos indígenas na Universidade. “O evento foi pensado por eles e isso é fruto do que eles têm feito”, reflete. “Tudo isso também faz parte de uma política linguística que a Prae ajuda a estabelecer, de inserir as línguas kaingang e guarani na linguagem institucional”, completa.


O material das cartilhas é resultado de trabalhos de conclusão de curso, projetos de extensão e pesquisas de iniciação científica das áreas de saúde e têm como objetivo a prevenção de doenças. Os textos estão em português e kaingang. “Posteriormente, as cartilhas serão impressas e distribuídas nas comunidades indígenas”, detalha a professora Letícia Fraga, membro do CEAI e da Comissão Universidade para o Índio (CUIA).


No lançamento, os acadêmicos também comemoraram o Dia dos Povos Indígenas ao rebatizar o “Espaço do Acadêmico Indígena” para “Centro Acadêmico Indígena”. Os estudantes redecoraram uma das paredes do espaço.

O material das cartilhas é resultado de trabalhos de conclusão de curso, projetos de extensão e pesquisas de iniciação científica das áreas de saúde. Foto: Fabio Ansolin


As cartilhas

Como projeto de extensão e parte do seu trabalho de conclusão de curso em Medicina, Bruna Paliano desenvolveu uma cartilha direcionada para crianças, com as medidas básicas de prevenção de enteroparasitoses de grande incidência nas comunidades indígenas. “É uma forma de contribuir com as comunidades indígenas, a população em geral e a comunidade acadêmica entender qual o real objetivo da presença indígena na universidade, sempre valorizando cada vez mais a linguagem e cultura kaingang”, pensa.


Para Bruna, o objetivo é demonstrar que os estudantes indígenas tem muito a oferecer. “O lançamento desse material traz conforto e a sensação de dever cumprido de que a nossa passagem pela universidade é só o início do tanto que temos a contribuir, que estamos aqui, que a universidade pública também é nossa e não somos invisíveis”, comenta.


A cartilha possui textos em kaingang e português. Partes das traduções foram feitas pela professora de kaingang Rosângela Vankam Inácio, mãe de Bruna Paliano. “Colaboro com estudantes indígenas da UEPG em traduções, nos TCCs. […] E como eles aprendem comigo, eu também aprendo com eles”, pontua Rosângela.


Em seu TCC, Fátima Lucas, formada em Enfermagem, desenvolveu uma cartilha que aborda a prevenção de doenças crônicas não-transmissíveis, como diabetes, hipertensão e colesterol alto, entre idosos. “Alguns dos mais velhos não sabem ler, nem português nem kaingang. Com as duas línguas, os netos poderiam ler e explicar para os familiares na língua que for melhor”, explica Fátima.


A cartilha também é bilíngue e conta com ilustrações temáticas. “Foi uma tradução muito difícil, pois uma palavra em português se transforma em três, quatro palavras em kaingang, mas no final tudo ficou muito claro”, adiciona.


Já a cartilha desenvolvida por Renato Pereira, formado em Odontologia, orienta crianças sobre a importância do acompanhamento odontológico e do cuidado bucal. “Foi um projeto de iniciação científica, em que fizemos estudos focados nas doenças bucais mais comuns entre a população indígena”, explica. Também bilíngue, a cartilha utiliza de histórias em quadrinhos para orientar o público. “A ideia é distribuir a cartilha em escolas indígenas”, complementa.


Da Assessoria