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  • Foto do escritorRedação

Academia de Letras lança livro 'Saudade Sentida' neste sábado

O lançamento será na Estação Saudade; livro em memória de Lygia Monteiro Zan

Sérgio ainda não anunciou ou revelou nenhuma obra inédita que vem por aí - Foto: Assessoria

Quem passou pelo curso de Letras da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), mais precisamente a partir dos anos 70, deve ter tido aulas ou pelo menos ouvido falar, dependendo da sua grade curricular, do professor Sérgio Monteiro Zan, que ministrou ‘Literatura Portuguesa’ com a maestria dos grandes mestres, antes mesmo de concluir seu Mestrado em Letras (1977) e, posteriormente, doutorado em Letras (1989).


De sua intelectualidade peculiar, após alguns anos de estudos em diversas vertentes das Ciências Humanas, Sérgio Zan tornou-se poliglota, prosador cauteloso e, infelizmente para a Literatura, a alcunha como poeta bissexto, visto que sua verve literária poderá ser conferida através de sua única obra poética, que reúne sonetos já consagrados em As Horas Sonâmbulas (Editora UEPG, 2001).


Entretanto, muita atenção, caros leitores, porque Sérgio Monteiro Zan ainda não anunciou ou revelou nenhuma obra inédita que vem por aí, mas sim de sua mãe, Lygia Monteiro Zan, que será lembrada in memoriam em coletânea de trovas, quando do lançamento da obra Saudade Sentida (Editora Estúdio Texto), no próximo sábado, às 15h, na Estação Saudade (Sesc Ponta Grossa).


Sob a supervisão do filho literato, membro da Academia de Letras dos Campos Gerais (Cadeira 20), ele conta que conseguiu resgatar e reunir as 296 trovas apresentadas no livro. “Durante a preparação dos textos, procurei fazer uma revisão acurada do material, um retoque ou outro que eu julgasse necessário, uma correção de métrica ou de rima, às vezes uma substituição de palavra, bem como eventuais ajustes na pontuação, e por fim uma completa verificação ortográfica”.


Inspiração e Estímulo

Mais adiante, Sérgio Zan relata que não sabe exatamente quando sua mãe começou a gostar de compor trovas, embora acredite que deve ter sido ali pelos anos 80, época em que a União Brasileira de Trovadores (UBT) - Seção de Ponta Grossa, então presidida pela poetisa conterrânea Amália Max, organizou na cidade incontáveis atividades culturais, reuniões, breves palestras, jogos florais, etc.


“De tudo isso, D. Lygia participava com enorme interesse, pois me lembro de tê-la acompanhado diversas vezes a esses eventos, e daí as quadrinhas começaram a surgir, sempre sob a inspiração e o estímulo carinhoso de D. Amália”, comenta ele, ao acrescentar que “uma delas, Altivo e nobre pinheiro, incluída neste conjunto, foi uma das vencedoras dos I Jogos Florais Dr. Clyceu Carlos de Macedo, promovido pela Prefeitura de Ponta Grossa, em setembro de 1986.”


As publicações da UBT eram recorrentes nos periódicos locais, sempre organizadas pela incansável presidente Amália Max, segundo relembra Sérgio Zan. “Conservo, entre os inúmeros papéis deixados por minha mãe, uma grande quantidade de recortes de jornal dessa época e posteriores, com trovas de autoria dela e de outros participantes do grupo”. Em janeiro de 1987, ele registra que “D. Amália, idealista como sempre, fez nascer uma modestíssima publicação intitulada O Vento, cuja gestação remontava, segundo ela, a quatro anos antes”.


De uma simplicidade comovente, de acordo com Zan, a pequena página a “serviço da trova” apresentava os textos datilografados de diversos autores (alguma coisa até mesmo manuscrita), mal diagramados e reproduzidos mediante mimeografia ou xerox. Para Sérgio Monteiro Zan, consta que O Vento, infelizmente, não conheceu mais do que cinco números, pelo menos, foram cinco os que ele encontrou nos seus guardados familiares. “O último corresponde aos meses de agosto-setembro de 1987, sendo que em quatro deles, com exclusão do segundo, de fevereiro-março, aparecem contribuições de minha mãe”, expõe ele.

Por esse reduzido espaço de tempo, conforme Zan, o humilde boletim foi a voz da confraria cismadora reunida em torno de Amália Max. “De modo geral, foram muito poucas as quadras de D. Lygia, todavia, foram as quadras que minha mãe escreveu e que teve a satisfação de ver estampadas”, afirma Sérgio, ao revelar que, em sua grande maioria, ficaram guardadas e quase esquecidas em velhos cadernos amarelados, em folhas esparsas de papel de carta, em uma ou duas páginas datilografadas, em envelopes usados, pedaços ou tiras de papel de embrulho, às vezes misturadas com receitas culinárias, trechos de orações, notas e lembretes soltos, números telefônicos e outras coisinhas típicas do dia a dia”.


Da Assessoria


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