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Irmãs quilombolas que trabalham na rede estadual acumulam vitórias educacionais

Débora está na rede desde 2015 como professora de Filosofia. Atualmente, é diretora-auxiliar no Colégio Estadual Regente Feijó. Michele é professora de Sociologia na mesma instituição desde 2019. Ambas celebram a luta contra a desigualdade racial na educação neste Mês da Consciência Negra

Irmãs quilombolas que trabalham na rede estadual acumulam vitórias educacionais. Foto: Raphael Marcondes

Duas irmãs quilombolas do Paraná alcançaram um objetivo muito especial nos últimos anos ao ingressarem na docência da rede estadual de educação do Paraná. Apesar dos percalços da vida, ambas conseguiram se tornar educadoras e celebram a luta contra a desigualdade racial na educação neste Mês da Consciência Negra.


Débora e Michele Ferreira nasceram em um quilombo e frequentar a escola foi um primeiro desafio na trajetória delas. Débora e Michele Ferreira enfrentavam 24 quilômetros todos os dias da Colônia Sutil à região central de Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais, para estudar. Débora terminou o Ensino Médio no Colégio Santana com bolsa e concluiu a graduação em Filosofia na Faculdade Santana. Michele estudou no Colégio Estadual Instituto de Educação e fez graduação em Sociologia na Faculdade Sagrada Família, também como bolsista.


Débora está na rede desde 2015 como professora de Filosofia. Atualmente, é diretora-auxiliar no Colégio Estadual Regente Feijó. Michele é professora de Sociologia na mesma instituição desde 2019. Elas estão entre os 13.317 servidores da educação que se declaram pretos ou pardos, mas foram pioneiras entre a população quilombola da região a abrir caminhos para outros jovens da comunidade a se inspirarem, se fortalecerem e perceberem que estudar é um direito de todos.


Foto: Raphael Marcondes

“Sempre enxerguei o caminho dos estudos como uma ferramenta poderosa quando queremos vencer”, diz Débora. “É um privilégio muito grande poder contribuir com a formação de jovens e adolescentes”, complementa Michele.


Débora e Michele foram beneficiárias de políticas de inclusão que reservam vagas em instituições públicas e concedem bolsas de estudos em universidades privadas a estudantes de baixa renda, vindos de escolas públicas, pretos, pardos, indígenas e pessoas com deficiência. A legislação que instituiu as cotas acabou de ser atualizada e agora inclui quilombolas no público atendido e estende a reserva para a pós-graduação e mestrado.

Foto: Raphael Marcondes

“Essas políticas públicas são uma conquista para nossos alunos quilombolas, e mais um caminho que se abre para que o aluno preto e a aluna preta estejam ocupando seus lugares na universidade”, diz Débora.


Luta Antirracista

As educadoras sabem a inserção no ambiente escolar em cargos de docência e gestão demonstra aos jovens quilombolas que os espaços da educação também são para eles e que a luta antirracista deve ocorrer diariamente. Além disso, o fato de terem professores como elas à frente é uma forma de se reconhecerem.


“Durante a minha trajetória enquanto estudante não tive docentes que traziam essa visão. E também eu não me reconhecia enquanto negra. Foi com o passar do tempo que percebi a importância da minha cultura e da nossa identidade”, destaca Michele.


Débora ressalta que as ações adotadas pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Educação (Seed), têm se mostrado eficazes nessa área. “Vejo que as equipes multidisciplinares para a educação das relações étnico-raciais são fundamentais para que nossos estudantes pretos e pretas entendam a necessidade e a importância de construir seus lugares de fala”, opina. “Sou grata por poder hoje, por meio da educação pública do Estado do Paraná, representar meus alunos e alunas pretas, e desejo que em mim eles enxerguem que sim, é possível”.


Ações da Seed

A Seed, por meio do Departamento de Educação Inclusiva/Coordenação de Diversidade e Direitos Humanos, possui diversas ações que acontecem durante todo o ano letivo, e formações pautadas no trabalho pedagógico no combate ao racismo no ambiente escolar, que se refletem no dia a dia das escolas e, consequentemente, nas relações estudantis.


As equipes multidisciplinares para a Educação das Relações Étnico-raciais (Emerer) atuam em situações de racismo dentro das escolas, com ações pedagógicas na perspectiva de uma educação antirracista. Cerca de 23 mil servidores, entre professores, pedagogos, agentes educacionais, estudantes e comunidade escolar passaram pela formação em 2023.

Além disso, a Secretaria trabalha para garantir o direito a pretos e pardos o acesso ao trabalho, por meio das cotas raciais, conforme os editais de concursos ou Processos Seletivos Simplificados (PSS) da rede estadual.


A Seed integra o Grupo de Trabalho de Combate ao Racismo, criado por decreto para analisar, debater e elaborar estudos e alternativas de combate ao racismo no Estado.

Para 2024, está prevista a aquisição de livros paradidáticos na temática da educação das relações étnico-raciais e no ensino de história e cultura afro-brasileira e africana, para utilização em todas as escolas da rede.

Irmãs quilombolas que trabalham na rede estadual acumulam vitórias educacionais. Foto: Raphael Marcondes

Mês e Dia da Consciência Negra

O mês de novembro é dedicado às celebrações da consciência negra. A data escolhida pela legislação é simbólica porque refere-se à morte de Zumbi, o mais importante líder do Quilombo dos Palmares, situado na região Nordeste do Brasil. As discussões sobre o tema também servem como reflexão sobre os quase 350 anos de escravidão e do tráfico das populações negras da África para o Brasil.


Por AEN

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