Inclusão por meio do karatê: professor de Ponta Grossa desenvolve projeto comunitário para crianças
- culturacaopg
- 14 de abr.
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Atualizado: 23 de abr.

Transformar vidas por meio da educação e da arte marcial. Essa é a missão do professor Marcos Antônio Rodrigues, que alia sua experiência como educador da rede pública e seu conhecimento em karatê para promover a inclusão de crianças com deficiência em um ambiente acolhedor e desafiador nas escolas. Marcos está à frente do projeto comunitário “Karatê Kids”, realizado na Vila Cipa, em Ponta Grossa, para todas as crianças. Mas o trabalho com os pequenos vai além da luta. Em suas aulas da rede pública, Marcos aplica um método baseado na psicodinâmica, com base psicanalítica, que busca compreender os conflitos internos das crianças para desenvolver nelas a confiança e a autonomia, método que também foi aplicado no período em que atendeu no Ginásio Da Pessoa Com Deficiência - Ginásio Jamal Farjallah Bazzi.
“A metodologia psicodinâmica tem como finalidade de ‘abraçar e deixar ir’. Ela se baseia na teoria psicanalítica e analisa conflitos inconscientes. Acolher o aluno em uma sala aonde terá que disputar o conhecimento, assimilação com outros demais alunos. Este é um desafio como professor da educação especial da rede pública”, explica o professor.
A proposta surgiu da vivência em sala de aula e da percepção de que o sistema tradicional de ensino, muitas vezes, não dá conta das demandas de alunos com necessidades específicas.
“Como professor presenciei a necessidade de desenvolver algo paralelo à escola das redes públicas e privadas. Pois existem professores com apenas pós em Ed. Especial ou formação na área com muito despreparo, pois somos limitados por causa da forma pedagógica engessada" aponta.
Diante das limitações estruturais e da falta de políticas públicas efetivas voltadas à inclusão, Marcos enfrentou desafios significativos.
“ Deveria se investir em uma sala adaptada em todos os sentidos. Professores capacitados, laboratórios de autoexpressão (Arte, mídia, musical) algo impossível nas escolas pois demanda tempo, investimento, capacitação contínua... acredito que o desafio maior é ou será a falta de apoio do sistema educacional”, lamenta.
A trajetória de Marcos é marcada pela superação e pela busca constante por formação.
“Comecei desde criança a trabalhar com meu pai em canteiro de obras, mas logo senti um sonho maior, mudar não o mundo, mas as pessoas, uma de cada vez. Resolvi cursar História, depois Artes Visuais. Fiz duas pós, em Arte e Educação Especial, atualmente curso o segundo ano de Psicanálise e atuo como professor da rede pública.”
Com uma atuação que integra corpo, mente e inclusão, Marcos Antônio Rodrigues segue transformando o tatame em espaço de acolhimento, disciplina e empoderamento — um golpe certeiro contra a exclusão.
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