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Historiadora lança livro baseado em narrativas que refletem sobre o sistema prisional

  • Foto do escritor: isabelepmachado
    isabelepmachado
  • há 8 minutos
  • 2 min de leitura
Imagem: Flávio Henrique
Imagem: Flávio Henrique

Na última sexta-feira (12), a historiadora e pesquisadora Kamile Almeida lançou o livro Parecia que não tinha dia: vozes e silêncio da prisão, durante o evento realizado na Biblioteca da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no campus Uvaranas. A atividade reuniu a autora, professores, convidados, amigos e apoiadores em torno de uma obra construída a partir da escuta, da pesquisa e da reflexão sobre o sistema prisional.

 

Publicado pela Texto e Contexto Editora, o livro apresenta narrativas de pessoas que passaram pelo cárcere em Ponta Grossa e discute as marcas deixadas pela prisão para além dos muros da penitenciária. A proposta da autora é dar visibilidade a histórias que, muitas vezes, permanecem em silêncio, através da abordagem de temas como memória, estigma, vulnerabilidade social, relações familiares, trabalho e liberdade vigiada.

 

A obra é construída a partir do encontro entre a pesquisa acadêmica e a trajetória de vida de Kamile, que cresceu na periferia de Uvaranas, em Ponta Grossa, e acompanhou de perto realidades ligadas à vulnerabilidade social. Ao longo da pesquisa, a autora ouviu histórias de dor, resistência e esperança, dessa forma, compreende que os efeitos da prisão vão além da pessoa encarcerada.

 

“A prisão não atinge apenas quem está atrás das grades. Ela atravessa famílias, agentes penitenciários, policiais, assistentes sociais e todo o sistema de justiça. Por isso, este não é um livro sobre crimes. É um livro sobre pessoas”, destaca Kamile.

 

O título da obra vem da fala de um dos colaboradores entrevistados durante a pesquisa: “parecia que não tinha dia, todo dia era noite”. Segundo a autora, a expressão traduz a experiência do cárcere como um tempo suspenso, em que os dias perdem o sentido e a vida parece interrompida dentro dos muros.

 

O livro é dividido em três capítulos e acompanha diferentes momentos da experiência prisional, sendo eles a entrada no sistema, a vida entre muros e os estigmas que permanecem após a liberdade. Com base na história oral, os relatos foram construídos a partir de entrevistas com pessoas que vivenciaram a reclusão, sempre com nomes fictícios e atenção aos princípios éticos da pesquisa.

 

Kamile Aparecida Lemes de Lima de Almeida é bacharela em História e mestra em História, Cultura e Identidades pela UEPG. Também possui formação em História, Pedagogia, Educação Especial Inclusiva e Neuropsicopedagogia. Para a autora, a publicação também representa uma forma de devolução à sociedade. “Acredito profundamente na educação pública. Foi ela que transformou a minha vida, e este trabalho também é uma forma de devolução”, afirma.

 

A obra está disponível pelo site da Texto e Contexto Editora: clique aqui para acessar o livro.


Com informações: Assessoria.



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