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A bióloga que vai ser historiadora, Caroline Dias Rosa

Caroline Dias Rosa está no terceiro ano da Licenciatura em História na Universidade Estadual de Ponta Grossa e, no Museu Campos Gerais, é a estagiária responsável pelo Acervo Documental Hugo Reis

A bióloga que vai ser historiadora, Caroline Dias Rosa. Foto: Fábio Ansolin

Hoje, quando alguém chega ao Museu Campos Gerais se encontra com as histórias familiares da exposição Memórias Entrelaçadas. Mais adiante, o visitante volta ao início do século XX, numa farmácia e num consultório odontológico, que retratam a saúde local da época. Bastam uns poucos passos para ingressar na biblioteca pessoal do escritor Wilson Martins. Este pequeno passeio histórico e cultural proporciona o contato com parte de um trabalho feito a muitas mãos, dentre elas as da Carol.


Caroline Dias Rosa está no terceiro ano da Licenciatura em História na Universidade Estadual de Ponta Grossa e, no Museu Campos Gerais, é a estagiária responsável pelo Acervo Documental Hugo Reis. Para chegar até ali, trabalhando na sala vizinha à de Wilson Martins, Caroline precisou fazer uma escolha importante: mudar de profissão. “Eu terminei uma graduação em Bacharelado em Ciências Biológicas, mas senti que não estava no lugar certo para mim”. Nesse momento, ouviu o coração e lembrou dos professores de História que teve no ensino fundamental e médio. “Eles me despertaram esse carinho pela História. E quando relembrei desse amor por História, resolvi entrar no curso e me encontrei”.


A rotina da bióloga, que vai ser historiadora, é corrida. Até há poucos dias, ela se dividia entre as aulas no campus Uvaranas, o estágio remunerado não obrigatório no MCG e estágio obrigatório no Colégio Eugênio Malanski, no bairro Borsato. Agora, com o recesso acadêmico, até dia 9 de maio, ela pode desacelerar. “Na verdade, estou respirando um pouco agora que temos uma semana sem aulas da UEPG. Mas no final do semestre eu estava indo de manhã para o MCG e, pelo menos 3 dias na semana, eu passava a tarde no estágio obrigatório e à noite tinha as aulas do curso”.


Encontro

De terça a sexta-feira, a Carol e o Museu se encontram. Silenciosa, sob uma luz suave, ela está onde e como se sente bem: com documentos raros, os quais manuseia solenemente – com luvas e máscara, cercada por objetos “de historiador”, como pincéis, lupa, extrator de grampos, carimbo com timbre do Museu, computador (claro!) e um lápis 6B, “que é pra escrever o número de registro no documento”, detalha.


Atualmente, ela cataloga uma coleção de documentos doados por uma família. Com a minúcia de quem valoriza cada detalhe do que faz, Carol relata que inicia com a descrição de todos os itens em uma ficha de aquisição de acervo, onde são colocados todos os dados sobre o documento. “Posteriormente, faço a limpeza desses documentos utilizando, por exemplo, pincéis e extrator de grampos para retirar todos os materiais de metal que possam danificar o documento ao longo dos anos”. Por fim, ela descreve que o documento é armazenado em papel de seda e envelopes. “Conhecer esse processo é muito interessante para aprender a conservar acervos e entender como eles são guardados”.

A bióloga que vai ser historiadora, Caroline Dias Rosa. Foto: Fábio Ansolin

Aprendizado mútuo

O estágio da estudante do quarto ano da Licenciatura em História, Gabriele Alessandra Lima Pedroso, terminou em março, mas a amizade e o trabalho com a amiga Carol deixaram boas lembranças. “Tive a Caroline como colega de estágio no Museu Campos Gerais e sempre foi muito notável a dedicação dela tanto na realização das atividades de estágio como na convivência com todas as pessoas que integram o cotidiano e o funcionamento do Museu”. Das atividades realizadas em conjunto, Gabriele lembra da seleção de acervos para a exposição que está acontecendo agora, Memórias Entrelaçadas. “Essas atividades sempre fluíram bem e de uma forma muito construtiva para ambas. Acredito que aprendi bastante com ela nesse período”.


Para o diretor do MCG, Niltonci Chaves, a Caroline desenvolve um importante trabalho na organização dos acervos documentais e no atendimento aos pesquisadores que procuram o centro de documentação do MCG. Ele avalia que os estagiários são figuras fundamentais em todas as atividades realizadas no Museu: o atendimento aos pesquisadores, a mediação e a ação educativa nas exposições, o trabalho interno de higienização, catalogação e organização dos acervos documentais e tridimensionais. “Em razão do conhecimento técnico que possuem, os estagiários significam um ganho considerável na qualidade das atividades cotidianas no interior do Museu”.


Atualmente, a Carol está trabalhando num material muito importante para a UEPG: os acervos do Festival Universitário da Canção e do Festival Nacional de Teatro, doados pela Pró-reitoria de Extensão e Assuntos Culturais em 2020. “Estou também fazendo a limpeza e registrando esses acervos, nos quais há diversos documentos dos eventos, desde fichas de inscrição até mais visuais como os cartazes, fotos, vídeos”. E como é um material muito vasto, a Carol tem pela frente muito trabalho e aprendizado nesse ambiente que tanto gosta. “A UEPG é como uma segunda casa, permitindo minha formação profissional de qualidade abrindo portas para um futuro promissor”.

A bióloga que vai ser historiadora, Caroline Dias Rosa. Foto: Fábio Ansolin

O trabalho no Museu continua, mas o estágio em sala de aula que terminou, reforçou a paixão pelo ensino de História. Ela diz que fica encantada ao conhecer o processo de formação da sociedade e “entender como nós nos organizamos para chegar onde chegamos e qual foi o caminho. O que mais me atrai na profissão do Professor de História é essa importância da área no processo de formação de identidade dos alunos”.


Da Assessoria