Galeria virtual de artista reconhecido pela arte naïf promove acessibilidade
- isabelepmachado
- há 14 horas
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Com mais de 500 obras produzidas ao longo de sua trajetória, o artista ponta-grossense Marcelo Schimaneski consolidou-se como um dos principais representantes da arte naïf brasileira, com reconhecimento nacional e internacional. Suas pinturas, caracterizadas por traços simples e cores vibrantes, já foram exibidas em países como Estados Unidos, Alemanha, França, Austrália, Canadá, Turquia e Noruega, além de integrarem bienais, exposições, livros e catálogos pedagógicos.
Agora, 18 obras premiadas em concursos estaduais e nacionais ganham um novo espaço de apreciação por meio da Galeria Virtual Schimaneski. A iniciativa representa uma experiência inovadora que reúne recursos de acessibilidade e inclusão que ampliam o acesso do público.
Marcelo Schimaneski destaca que, além de facilitar o acesso de pessoas com mobilidade reduzida, a galeria virtual conta com recursos de audiodescrição - produzidos por consultoras em acessibilidade e revisados por uma profissional com deficiência visual - e tradução em Libras, assim permite que pessoas com deficiência visual e auditiva possam apreciar as obras com autonomia. “Fico feliz em saber que outras pessoas com deficiência terão essas ferramentas à disposição. Valorizo muito essas iniciativas de inclusão, até porque faço parte de um grupo que enfrenta dificuldades de mobilidade”, reforça.
Ele acrescenta que, na galeria virtual, a experiência é mediada por recursos digitais, áudio e ferramentas de acessibilidade. “Apesar de muitas obras terem diferentes significados e cada espectador construir sua própria leitura, penso que essa mediação facilitará a compreensão dessas interpretações”, afirma.
De acordo com Schimaneski, quando uma pessoa com deficiência consegue acessar plenamente uma exposição de arte, o processo deixa de ser apenas inclusão e passa a representar pertencimento cultural. “As limitações enfrentadas por uma pessoa com deficiência podem dificultar sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições. Por isso, todo investimento em inclusão é bem-vindo. Para mim, é um orgulho participar desse projeto, porque, devido à minha condição de mobilidade, conheço de perto as dificuldades enfrentadas por esse público”, frisa. Para ele, a iniciativa também contribui para promover conscientização e autonomia. “Depois de visitar a galeria virtual, gostaria que as pessoas com deficiência levassem consigo a sensação de pertencimento e se sentissem motivadas com a própria vida”.
O projeto que deu origem à Galeria Virtual Schimaneski foi aprovado pela Secretaria de Estado da Cultura do Paraná para receber recursos do Governo Federal, por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura. A produção executiva é da ABC Projetos Culturais.
A curadora da galeria virtual, Natasha Dias, ressalta a importância da acessibilidade. “Acredito que seja imprescindível pensar em acessibilidade neste projeto, uma vez que o próprio artista é uma pessoa com deficiência”. Segundo Natasha, a plataforma digital conta com tecnologias assistivas e recursos inclusivos, proporcionando uma experiência acessível e simultânea para diferentes públicos. “Por meio da internet, a arte consegue ultrapassar barreiras geográficas e se tornar acessível em qualquer lugar do mundo. Isso beneficia, inclusive, pessoas com pouca ou nenhuma mobilidade que vivem na região, além de escolas e instituições que podem acessar a exposição coletivamente sem precisar sair do ambiente estudantil”, exemplifica.
Para ela, iniciativas como essa, voltadas à inclusão e à democratização do acesso, representam um importante exemplo para futuros projetos culturais no Brasil.
Natural de Ponta Grossa, Marcelo Schimaneski sempre teve interesse pelo desenho e pela arte. Em 1989, sofreu um grave acidente automobilístico que resultou em uma lesão na coluna cervical, deixando-o tetraplégico, assim o afastando das telas por um tempo. Durante o processo de reabilitação, encontrou na pintura uma ferramenta para ajudar na recuperação dos movimentos dos braços e das mãos.
Após retomar a produção artística em 2004, desenvolveu uma técnica própria para pintar e passou a retratar paisagens rurais, cenas do cotidiano e memórias afetivas. Sua trajetória de superação e talento o levou ao reconhecimento nacional e internacional, consolidando-o como um dos principais nomes da arte naïf brasileira.
Com informações: Assessoria.
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