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Festa de São Cristóvão

Confira a Crônica da semana da Academia de Letras dos Campos Gerais: "Festa de São Cristóvão"



O dia do padroeiro da Paróquia São Cristóvão é o 25 de julho, mas a grandiosa festa em sua honra, tradicionalmente, vai para o primeiro domingo de agosto, havendo tríduo (um terço de uma novena) na semana anterior, com as conhecidas “barraquinhas”. Sempre que meu aniversário cai em um domingo, coincide com a festa de São Cristóvão. Lembro de um aniversário em dia de festa, em que mamãe “modista” criou para mim um conjunto de saia plissada e blusinha (o plissé vincado a ferro de passar, mesmo). Vestido novo era uma vez por ano, no aniversário ou no Natal, e aquele veio no dia da festa, como se a festa fosse para mim. Essa coincidência, na minha infância, era motivo de grande alegria.


Nas proximidades da Igreja, quem não acordasse cedo para assistir à missa solene em honra ao padroeiro, naqueles tempos entoada por Frei Elias – com as respostas litúrgicas a quatro vozes do Coral São Cristóvão, regido pelo saudoso maestro Antônio Marenda –, acordaria, ao final da missa, com o repique festivo dos sinos anunciando o início da procissão. Nas ruas adjacentes à Rua Franco Grilo, começavam o buzinaço e os roncos de caminhões, juntando-se à fila da procissão, muitos com as carrocerias apinhadas de pessoas (antigamente não era proibido!). Desde que a Rodovia do Café foi inaugurada, num domingo, em 25 de julho de 1965, já era por aquela via que a procissão retornava, iniciando na frente da igreja, e percorrendo a Visconde de Mauá, passando pelo Centro em direção ao antigo Posto Presidente, e lá acessando a rodovia. Eu gostava de esperar a procissão passar diante da minha casa, no retorno, pela Rua Franco Grilo, já passando da hora do almoço; as crianças não queriam perder a conta dos caminhões e carros que participaram da procissão, seguindo para a frente da igreja, novamente, para receberem dos freis capuchinhos a bênção dos veículos.


Num certo domingo, eu tinha ido a pé, com vizinhos, ver os carros de corrida participantes da inauguração da rodovia, cujo acesso, de terra, era quase uma trilha. Nenhum carro passou na velocidade que eu imaginara. Eu me divertia mais com os caminhões da procissão, por isso quis participar de uma, em cima de um caminhão, e conhecer, assim, a famosa Rodovia do Café. Não me recordo se essa aventura aconteceu no ano da inauguração, ou se foi numa coincidência da festa com meu aniversário. Lembro do vento e de meus cabelos açoitando meu rosto, que ardia com o sol quente. Parecia, de fato, uma corrida em alta velocidade.



Texto de autoria de Rosicler Antoniácomi Alves Gomes, Professora de Português e Inglês, residente em Ponta Grossa, escrito no âmbito do projeto Crônicas dos Campos Gerais da Academia de Letras dos Campos Gerais

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