Casa cheia: estreia de “A Sanfoneira Careca” leva público ao Teatro Ópera e abre temporada do GTPG
- culturacaopg

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O Grupo de Teatro de Ponta Grossa (GTPG) iniciou sua nova temporada com a casa cheia na última terça-feira (21), ao estrear o espetáculo “A Sanfoneira Careca” no Teatro Ópera. A montagem, livremente inspirada em “A Cantora Careca”, de Eugène Ionesco, segue em cartaz nesta quarta-feira (22), às 20h, no mesmo espaço, e encerra sua circulação na quinta-feira (23), integrando a programação do projeto Viva Cultura na Minha Vila, apostando na aproximação com diferentes públicos, incluindo uma apresentação descentralizada no CMEI Professora Bernadete de Fátima Goytacaz, no Jardim Boreal.
Com texto e direção de Carlos Alexandre Andrade, a obra propõe uma reflexão sobre o choque entre arte e sociedade, ao retratar uma comunidade marcada pela repetição e pela resistência ao novo. Misturando elementos de humor e tensão, o espetáculo aposta em uma linguagem contemporânea para abordar o estranhamento provocado pela presença artística em ambientes conservadores.
A concepção cênica reúne nomes da produção local, com cenografia de Nessandra Cordeiro, iluminação de Marcus Cruz, figurino e maquiagem assinados por Lazuliverso, além de som e assistência de direção de Manu Maukoski.
Em entrevista, o diretor explicou o ponto de partida da criação e inspiração da referência original. "Foi uma inspiração do fato de A Careca de Ionesco não aparecer na própria suposta história. Então, se Ionesco tem uma cantora, eu criei uma sanfoneira, onde ela é, de fato, elaborada numa história dramatúrgica. Aproveitei o penteado da personagem para colocar na trama contemporânea a questão da estranheza do não convencional, com a estranheza que o ímpeto de consumir arte pode causar em nossa sociedade mais 'purista'".
Ao abordar os paralelos com a realidade, Andrade amplia o debate para além do presente. "Acho que é um paralelo de todas as sociedades, não apenas a atual. Artistas e a arte sempre sofreram e sofrem preconceito em todas as sociedades, não importando a época, se ontem, hoje ou até mesmo no futuro. ‘As pessoas não gostam de arte’, a gente sempre ouve. Aí resolvi demonstrar quem são essas pessoas: pessoas com quem nos deparamos todos os dias, com seus comportamentos rotineiros e cheios de estereótipos verídicos. Pessoas que parecem terror ou piada".
A Sanfoneira, segundo o diretor, concentra o significado simbólico da narrativa. "Ela simboliza a arte, sem dúvidas. O poder da arte que amedronta, incomoda, nos afeta, nos pacifica, mas faz renascer também".
O equilíbrio entre humor, desconforto e crítica social foi construído a partir da análise do cotidiano. "Foi observando a realidade dessas pessoas que nos causam terror e piadas prontas. O estereótipo tão real dessas pessoas que odeiam o pensamento livre da arte dentro de uma sociedade convencional. Elas são fabricadas em série. Por isso, o desafio em A Sanfoneira Careca foi, através do texto, da atuação e da direção, transpor esses costumes bizarros para dentro do palco".
Fotos: Rianm.Studio
Serviço
Espetáculo A Sanfoneira Careca
Datas: 22 e 23 de abril
Horário: 20h
22/04 - Teatro Ópera (entrada mediante doação de produto de limpeza)
23/04 - CMEI Professora Bernadete de Fátima Goytacaz - Jardim Boreal (programação Viva Cultura na Minha Vila)
Classificação indicativa: 10 anos
Entrada: solidária (22/04) e gratuita (23/04)
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