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Rachel de Queiroz

Confira a Crônica da semana da Academia de Letras dos Campos Gerais: "Rachel de Queiroz"


Não saberia Rachel que da grande seca de 1915 surgiria o rio extenso da literatura que a habitava desde cedo. Muito mais tarde, em 1990 e bolinha, a não tão jovem escritora viria a cair em Ponta Grossa.


Dos anjos que caem, Rachel literalmente cairia próximo à Avenida Bonifácio Vilela. Do outro lado, um profundo entendedor da Literatura assistiria à cena que seguia. Rachel, ajudada a levantar-se, foi levada ao hospital.


Resiliente, ainda, foi à Universidade prestar sua palestra. Conta-se que enfaixada et cetera. E, olha a coincidência, o entendedor encontrara-a novamente. Rachel poderia não saber, mas as conexões humanas se dão de formas tão incomparáveis que passei dias da minha vida construindo todo o cenário de sua queda em minha mente.


Rachel, dos Quinze, é tão inigualável porque, segundo o bom entendedor literário, diante da escassez de histórias de vida, escreveu sua obra-prima. Em riqueza literária, que somente muitos anos de vida poderiam criar.


Nunca a conheci. Mas sinto suas marcas quando piso naquela avenida, vejo suas sombras nas esquinas de uma memória que não tive. E a Rachel dos Quinze, que vive para sempre dentro do seu livro, talvez como anjo realmente por aqui ainda transite.


Texto de autoria de Aline Sviatowski, estudante, Ponta Grossa, escrito no âmbito do projeto Crônicas dos Campos Gerais da Academia de Letras dos Campos Gerais