Projeto de educação antirracista “A Glória do Meu Quilombo” cria audiolivro informativo
- isabelepmachado
- 9 de jun.
- 2 min de leitura

A Glória do Meu Quilombo, projeto de educação antirracista no Paraná, lança segundo audiolivro, baseado na obra Quarto de despejo - diário de uma favelada, publicado pela escritora Carolina Maria de Jesus em 1960. “Uma escrita que ultrapassou fronteiras, traduzida em mais de 16 países, e que segue viva, pulsando verdade, dor e humanidade”, destaca a idealizadora do projeto na abertura do material. A multiartista Ligiane Ferreira, conta que o material traz “vozes de mulheres que atravessaram escolas, territórios e memórias, ecoando os caminhos por onde passou”.
O objetivo do coletivo é alcançar mais de 1800 estudantes com acesso ao material didático e informativo produzido pelo projeto, o qual envolve a educação antirracista. Espera-se que alunos, professores e a comunidade escolar em geral transmitam e reflitam sobre a história da escritora negra, que foi mãe solteira, com pouca instrução e moradora da favela do Canindé, em São Paulo.
O projeto representa as trajetórias de vida de pessoas pretas e pardas, através da narrativa e da cultura do povo negro ao resgatar a memória destes personagens e sua contribuição para a formação social e cidadã nas cidades.
O audiolivro é contrapartida do projeto que conta com o apoio da Secretaria do Estado da Cultura, Governo do Paraná, e com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, do Ministério da Cultura, Governo Federal. O acesso ao material é gratuito e está disponível na plataforma de áudio Spotify.
De acordo com Ligiane Ferreira, que também é responsável pela direção-geral do produto e orienta os circuitos de palestras pelo Estado do Paraná, o audiolivro deverá servir de apoio às professoras e professores, e equipes pedagógicas, da rede pública de educação por onde o projeto passa.
A artista e educadora popular acredita que as leituras disponíveis no material tornam o letramento racial dos estudantes e da comunidade escolar mais acessível. Além disso, o formato também é inclusivo, dessa forma, permite que os estudantes consumam obras literárias, biografias ou conteúdos educacionais apenas ouvindo. “O audiolivro auxilia na democratização do acesso à cultura e de artistas e intelectuais negros e negras. Além disso, os livros falados são ótimos recursos para pessoas com deficiências visuais e outros transtornos de leitura, como dislexia, por exemplo”, completa.
Trecho do audiolivro
“Quinze de julho de mil novecentos e cinquenta e cinco (15/07/1955), aniversário da minha filha, Vera Eunice. Eu pretendia comprar um par de sapatos para ela, mas o custo dos gêneros alimentícios nos impede a realização de nossos desejos. Atualmente, somos escravos do custo de vida. Eu achei um par de sapatos no lixo, lavei e remendei para ela calçar”, diz trecho do Quarto de Despejo de Carolina Maria de Jesus, narrado ao som da Banda Mambaia (Sanga, composição de Fernando Bertani).
Este projeto foi aprovado pela Secretaria do Estado da Cultura, Governo do Paraná, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, Ministério da Cultura, Governo Federal.
Link de acesso ao audiolivro:
Com informações: Assessoria.
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