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  • Foto do escritorRedação

Eu e meu capacete

Confira a Crônica da semana da Academia de Letras dos Campos Gerais: "Eu e meu capacete"



Nas idas e vindas, em ruas princesinas e estradas campesinas, descobri um lugar inusitado, onde os pensamentos, a filosofia e as ideias fervilham: meu capacete.


Pela necessidade do meu trabalho, minha locomoção é quase sempre com a moto. Neste momento de solidão, muitos pensamentos me ocorrem, desde reflexões sobre a vida, pensamentos sobre os afazeres diários e até mesmo algumas crônicas que surgem neste espaço pequeno fisicamente, mas ilimitado filosoficamente.


Enquanto vou para Castro, atendendo mais um cliente, me surge o pensamento de quanto penso dentro do capacete. Algumas músicas me surgem. Um caminhão aparece à frente, novo pensamento surge.


Indo de Uvaranas para Vila Oficinas, da Nova Rússia para o Contorno, planejo como devo executar mais um trabalho, por onde começo, onde devo procurar as peças que necessitarei em breve. O sinaleiro fecha, devo parar, e prestar atenção no próximo arranque. Deus lembra de mim?


A Balduíno se descortina à minha frente, então me surge a possibilidade de mais uma crônica. Seu título, o início, o descortinar do enredo, sua conclusão, o humor empregado. Opa, o semáforo com a Avenida Vicente Machado está aberto. Um toque mais intenso no acelerador para aproveitar o sinal aberto. Onde estou indo mesmo? Ah, lembrei!


Sim, muitas vezes me perco em meus próprios pensamentos, me sentindo tão só, parodiando o poeta, mas em excelente companhia, ou seja, comigo mesmo. Aliás, falar sozinho dentro do capacete é muito recorrente. Altos monólogos se desenrolam, talvez levando os transeuntes a duvidarem da lucidez do piloto.


Nas constantes idas até a capital do estado, cruzando os Campos Gerais, passando o Tibagi, Witmarsun e despencando pela Escarpa Devoniana, também conhecida como Serra do São Luiz do Purunã, penso na família, na sorte que tenho por ser casado com uma mulher maravilhosa, ser pai de uma filha ímpar. Um caminhão freia, o carro que está ao meu lado também reduz, minha manobra precisa ser milimétrica para que a moto se mantenha em pé.


Para chegar em casa, preciso tomar o rumo do Hospital Regional. Arredo um pouco para o lado, pois uma ambulância está com todos seus sinais de emergência acionados. Tomara que não seja muito grave, tomara que dê tempo. Ela passa, meus pensamentos se voltam aos cachorros de casa, fujões, preciso ser mais esperto que eles.


Tiro o capacete, parece que os pensamentos embaralham. Levo um tempo para que as coisas tomem eixo novamente. Sento em frente ao computador e os imprimo.


Texto de autoria de Mário Francisco Oberst Pavelec, técnico em agropecuária, natural de Palmeira, residente em Ponta Grossa, escrito no âmbito do projeto Crônicas dos Campos Gerais da Academia de Letras dos Campos Gerais

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