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Teatro Científico da UEPG combina arte e ciência no palco do Fenata

O projeto começou a funcionar em fevereiro de 2022, após uma seleção de atores e da equipe técnica

Grupo de Teatro Científico da UEPG combina arte e ciência no palco do Fenata. Foto: Divulgação

No próximo dia 8 de novembro, o 50º Festival Nacional de Teatro (Fenata), da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), apresenta a peça Coração em Chagas, do recém-formado Grupo de Teatro Científico (GTC-UEPG). A apresentação será no Teatro Marista, às 14h.


Mas você sabe o que é teatro científico? São espetáculos onde a ciência é o tema principal e onde os assuntos são abordados de forma a transpor o discurso científico para uma linguagem leve e de fácil compreensão. Para isso, são usados recursos e técnicas das artes cênicas, como diálogos, histórias e encenação de fatos históricos, em uma apresentação bem diferente do modelo usado em sala de aula.


“A ciência está em tudo, em nossa respiração, em nosso pensamento e nos objetos à nossa volta. Tudo contém um processo científico”, explica Leila Freire, atriz e coordenadora do projeto de extensão Teatro Científico. Para ela, o palco pode tornar o processo de divulgação científica mais motivador e interessante, além de abrir oportunidade para falar sobre ciência a um público diferente, que muitas vezes não teria acesso ou até mesmo interesse pelas informações: “O teatro pode ser uma poderosa ferramenta para estimular a curiosidade das pessoas”, complementa Leila, que também atual chefe da Divisão de Arte e Cultura (DAC) e atua como professora do curso de Química da UEPG.


“O Teatro Científico já existe há bastante tempo e em várias partes do mundo, mas é a primeira vez que a UEPG monta um grupo com esse foco. É um projeto de extensão, logo, trabalha com a comunidade e para a comunidade”, destaca Leila.


No ano passado, uma outra peça de teatro científico ganhou o prêmio do Júri Popular do Fenata. O espetáculo, ‘A Borboleta da Colina’, falava sobre a transformação da matéria, tema próprio da química, e o assunto aparecia de forma natural, dentro do enredo, com uma grande receptividade da plateia. Leila integrava o elenco e, com o reconhecimento do público, recebeu o impulso que faltava para a formação do novo grupo dentro da UEPG.


O projeto começou a funcionar em fevereiro de 2022, após uma seleção de atores e da equipe técnica. São professores, estudantes, pessoas da comunidade externa e artistas profissionais que amam o teatro e o conhecimento. Além da Química, há integrantes dos cursos de Matemática, Biologia e Artes Visuais. As idades variam de 18 até mais de 50 anos. Para escolha e preparação das peças, os 17 integrantes estudam as temáticas, trabalham na produção de textos e na montagem das cenas, sempre coletivamente.


O diretor e dramaturgo do grupo é o professor do curso de Matemática, Jocemar de Quadros Chagas. Ele explica que o esforço foi para colocar em cena um texto autoral, com a saúde pública como tema principal, em específico a doença de Chagas. “Em publicações científicas e em biografias, selecionamos elementos que consideramos importantes, e passamos a usá-los para criar improvisações e esboçar cenas. Trouxemos ao palco, por exemplo, um trecho retirado de um artigo de Carlos Chagas de 1922. Em paralelo ao texto, criamos cenografia, figurino e adereços. Temos em cena um mosquito de um metro e meio que achei fantástico”, conta Jocemar.


O jornalista Gabriel Ribeiro se inscreveu no grupo após ver o anúncio no site da UEPG, e participa desde as primeiras reuniões. Em ‘Coração em Chagas’, interpreta o médico brasileiro Carlos Chagas, descobridor da doença. “Fazer teatro científico tem me dado outra perspectiva sobre ciência, especialmente após a pandemia. Vejo como algo muito mais próximo do cotidiano, desfaz aquele estigma de que há uma divisão entre humanidades e ciências. Na verdade, as artes e todas as áreas da ciência têm muito em comum e devem caminhar juntas”, afirma.


Entre tantas possibilidades, o fator decisivo que levou o grupo a abordar a doença de Chagas, foi tomar conhecimento que existe o inseto Barbeiro, contaminado na cidade, com potencial de transmissão. Um grupo de pesquisadores da UEPG estuda a doença desde 2013 (mais detalhes abaixo). A bióloga e professora do Departamento de Biologia Geral (Debio), Iriane Eger, coordena o estudo e contribuiu com a consultoria científica da peça.


“Foi uma satisfação gigantesca ajudar. Além de mostrar o quanto a doença de Chagas continua sendo um problema da atualidade, também mostramos que na nossa cidade há pessoas pesquisando o tema e buscando novas alternativas de tratamento”, comenta a professora.


Estreia nos palcos

O grupo estreou em outubro de 2022 como preparação para o Festival. Para grande parte dos atores, a peça Coração em Chagas foi a primeira experiência no palco. É o caso de Talula (nome artístico), que é formada em Ciências Biológicas pela UEPG e agora cursa o segundo ano de Artes Visuais. A atriz dá vida a seis personagens diferentes na peça e se diz muito feliz em poder usar essa combinação de conhecimentos dentro do teatro.


“O primeiro contato com o Grupo de Teatro Científico foi durante um minicurso online e logo veio o convite para integrar a equipe. A arte sempre esteve em minha vida e, quando vi as oportunidades e desoportunidades geradas pela pandemia, decidi caminhar profissionalmente no teatro”, diz ela.

No Fenata, Talula e o restante do grupo esperam encarar um grande público pela primeira vez. Como frequentadora assídua das edições anteriores do festival, ela considera uma honra e uma grande oportunidade participar da edição histórica. “Sempre compreendi a importância de levar a arte e a cultura para as pessoas e o papel do Festival na formação de público. Espero que o público goste e que a gente consiga afinar e melhorar ainda mais nossa apresentação”, finaliza.


Serviço

Peça: ‘Coração em Chagas

Apresentação: 08/11/2022

Horário: 14h

Local: Teatro Marista

A Mostra de Teatro – 50º Festival Nacional de Teatro (Fenata) é realizada pelo Ministério do Turismo, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e Fundação de Apoio à UEPG (FAUEPG), com patrocínio de GMAD, Deragro – empresa do Grupo Lavoro, Belgotex do Brasil, Tratornew e Shopping Palladium. O evento conta ainda com o incentivo da Prefeitura de Ponta Grossa, por meio da Secretaria Municipal de Turismo (Setur) e Conselho Municipal de Turismo (COMTUR). O Fenata tem o apoio da Secretaria Municipal de Cultura, Teatro Marista Pio XII, Fecomércio – Sesc Estação Saudade e Museu Campos Gerais; e promoção da RPC.


Sobre a doença de Chagas

A doença de Chagas, que inspirou a peça, leva esse nome por ter sido descoberta em 1909 pelo médico brasileiro Carlos Chagas. Ela é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi (T.cruzi) e é transmitida principalmente através do inseto “barbeiro”. A transmissão se dá principalmente pelas fezes que o barbeiro deposita sobre a pele da pessoa, enquanto suga o sangue, e pela ingestão de alimentos contaminados.


O Ministério da Saúde calcula que 4,6 milhões de pessoas sejam portadoras de infecção por T. cruzi, no Brasil. A maior parte está entre a população em maior vulnerabilidade social. O número é apenas uma estimativa, uma vez que casos crônicos não precisam ser notificados oficialmente. O Paraná não tem registro confirmado desde 2007, de acordo com a Secretaria da Saúde do Estado.


Muitos pacientes passam anos sem apresentar sintomas, mas a doença avança silenciosamente e pode comprometer órgãos importantes, como o coração. O tratamento oferecido pelo SUS é eficaz apenas na fase inicial da doença.


Inseto infectado está presente em Ponta Grossa

Pesquisadores da UEPG receberam, no final de 2019, um barbeiro encontrado por um aluno dentro da própria UEPG. Ao examinar o inseto, foi constatado que ele estava infectado com o T. cruzi, o que sugere que há circulação do agente causador da doença, em Ponta Grossa. O estudo deve ser publicado em breve.


“É o primeiro registro oficial da ocorrência do parasita na região. Agora teremos que traçar estratégias com a Vigilância Epidemiológica e com profissionais que tenham mais experiência na coleta desses insetos para pesquisar qual é a extensão disso, se foi um caso isolado ou não, e quais animais silvestres estão infectados. Se houver o ciclo silvestre, há um risco de ter casos humanos”, alerta a coordenadora do estudo, Iriane Eger.


Como o medicamento que existe é bastante limitado – só funciona na fase inicial da doença – pesquisadores também estão em busca de novas moléculas que sejam ativas contra o parasita. A outra linha de pesquisa é voltada para entender melhor a parte biológica do parasita e a interação com a célula hospedeira. O estudo, paralisado durante a pandemia, foi retomado há dois meses.


Da Assessoria

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