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Evento reúne pesquisadores indígenas para compartilhar experiências

Ação é promovida pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG)


Evento reúne pesquisadores indígenas para compartilhar experiências. Foto: Divulgação

Na segunda (06) e terça-feira (07), a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), em parceria com a Universidade Federal de Goiás (UFG), promove um evento para pesquisadores indígenas. O I Seminário “Descolonizando Metodologias: éticas e práticas de pesquisador@s indígenas” será online, às 14h, no Youtube do Coletivo de Estudos e Ações Indígenas (Ceai).

O objetivo do evento, segundo a professora Letícia Fraga, integrante do Coletivo, é compartilhar experiências e reflexões sobre pesquisa. “Esse seminário nasceu nos trabalhos que nós realizamos em conjunto com o Programa de Pós-Graduação em Letras da UFG”, lembra a professora. Segundo ela, o evento reúne os conhecimentos dos acadêmicos indígenas, que têm uma metodologia diferente para a realização de pesquisas, baseada na oralidade característica dos povos indígenas. “Nos trabalhos dos estudantes indígenas, a referência são os anciãos e pessoas mais velhas da comunidade, e são saberes que esses estudantes têm pelo que aprenderam com as essas pessoas”. Com calma e tranquilidade, também características da oralidade indígena, os alunos poderão apresentar suas pesquisas e debater as contribuições e relações com as demais pesquisas apresentadas.

“A ideia é buscar aprender com pesquisadores e pesquisadoras indígenas outras possibilidades de produção de conhecimento, outros protocolos de ética em pesquisa, diferentes dos nossos ocidentais, e mesmo de condutas metodológicas que são mais sensíveis às suas culturas e organizações sociais”, destaca o professor André Marques, da UFG. Segundo ele, a motivação para o evento parte da constatação de um aumento histórico no número de estudantes indígenas nos programas de pós-graduação, que passam a receber alunos que pensam a partir de outras culturas e visões de mundo.

“Essas pessoas estão desenvolvendo pesquisa, na maior parte dos casos, nas suas comunidades, então têm uma outra percepção da vivência cultural, das organizações socioculturais dessas comunidades, que pesquisadores não-indígenas não têm ou dificilmente conseguem ter”, aponta o professor. Além do aprendizado com as trajetórias indígenas e pesquisas desenvolvidas pelos estudantes, o objetivo é, também, contribuir com a democratização das Universidades e da pesquisa científica, contribuindo com a problematização da permanência plena de estudantes indígenas nas instituições.

Com o debate, pesquisadores e pesquisadoras indígenas poderão ampliar a compreensão de práticas culturais, em especial nas situações em que as pesquisas são desenvolvidas nas comunidades indígenas. “Além de importantes reflexões sobre o acesso e a permanência em programas de pós-graduação, as experiências desenvolvidas por pesquisadorxs indígenas propõem protocolos éticos e condutas metodológicas mais sensíveis às organizações sociais indígenas e apresentam alternativas para a urgente revisão de paradigmas que historicamente perpetuam a violenta relação entre universidade e povos indígenas”, explica a organização do evento.

Ao final do evento, que ficará gravado, uma publicação sobre metodologias de pesquisa de povos indígenas deve integrar a Coleção Retomadas, conjunto de livros publicados pela Pró-reitoria de Extensão e Assuntos Culturais (Proex-UEPG) com autores indígenas.

O evento é uma realização do Coletivo de Estudos e Ações Indígenas (Ceai-UEPG), Laboratório de Estudos do Texto (LET-UEPG), Centro de Estudos de Línguas e Saberes Indígenas (Celsin-UFG), Laboratório de Estudos Interculturais de Linguagem (Laeil-UFG) e Núcleo Takinahaki – UEPG. As inscrições podem ser realizadas através de formulário digital e participarão como debatedores estudantes indígenas da pós-graduação da UEPG e da UFG.


Confira a programação do evento: Segunda, 06/12 14h – 17:30h Almir Henõri Abtsi’re (UFG) – A fala dos sábios A’uwẽ Uptabi: Rowaihu’u’wai mreme Antônio Luiz Wa Awẽ (UFG) – Desafios do ensino da língua Xavante na educação intercultural: Wamremé ipire te tihöiba rómnhõré’remhã Iranildo Arowaxeo’i Tapirapé (UFG) – Protagonista Apyãwa (Tapirapé) na pesquisa epistemológica intra e intercultural José Uratsé Aihéédi (UFG) – Variações na fala dos xavante da Aldeia São Marcos – Damrẽmé tsipu Felipe Coelho Iaru Yê Takariju (UEPG) – Linguagem como energia de retomadas indígenas.

Terça, 07/12 14h – 17:30h Gilson Ipaxi’awyga Tapirapé (UFG) – Takãra: representação simbólica da vida ritualística do povo Apyãwa Eneida Brupahi Xerente (UFG) – Akwẽ sĩm Pikõ rom kmãdkâ waibukwa kãtô ĩprumkwa: reflexões de uma pesquisadora Akwẽ Caetano Tserenhi’ru Moritu (UFG) – Reflexões sobre metodologia de pesquisa por um pesquisador A’uwẽ Uptabi em sua comunidade Alexandre Kuaray de Quadros (UEPG) – Preconceito e racismo: luta diária e desafio da linguagem acadêmica e a aprendizagem do estudante indígena na universidade Regina Aparecida Kosi dos Santos (UEPG) – Lei 11.645/08 e formação de professores: o perigo de uma história única.


Da Assessoria