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  • Redação

Escolas podem agendar visita à exposição no MCG

A nova exposição do MCG fica em cartaz durante cinco meses no Salão Saint-Hilaire e durante esse tempo, além das visitas orientadas, estão programadas ações educativas e atividades culturais

Escolas podem agendar visita à exposição “Povos Paranaenses: Mundo Caiçara”, no Museu Campos Gerais. Foto: Divulgação


A cultura, o modo de vida e o artesanato das comunidades tradicionais do litoral paranaense estão em exposição no Museu Campos Gerais, da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). A mostra “Povos Paranaenses: Mundo Caiçara” é aberta ao público e inaugura a agenda de fim de ano do Museu. A entrada individual é livre, mas grupos escolares devem agendar a visita guiada pelo e-mail museucamposgerais@uepg.br.


A visitação é gratuita, de terça-feira a sábado, das 9h às 11h30 e das 13h30 às 17h. A nova exposição do MCG fica em cartaz durante cinco meses no Salão Saint-Hilaire e durante esse tempo, além das visitas orientadas, estão programadas ações educativas e atividades culturais.


Faz parte da exposição a coleção de fotos do fotógrafo Carlos Roberto Zanello de Aguiar (1949-2015). Macaxeira, como era conhecido, retratou como ninguém artesanato, patrimônio cultural e o modo de vida do litoral paranaense a partir de suas andanças que ficaram registradas em imagens únicas. As fotos são exibidas pela primeira vez em Ponta Grossa. O público também pode interagir com o universo particular de música, ritos, religiosidade e costumes representativos da cultura caiçara, tais como a Festa do Divino e o Fandango.


O diretor do MCG, Niltonci Chaves (foto ao lado) ressalta que um dos desafios do trabalho também é evidenciar ressonâncias da cultura caiçara pelo interior paranaense, incluindo aí a região dos Campos Gerais. “Para isso se revelou fundamental contar com um conjunto de apoiadores institucionais, como o Museu Paranaense, o Museu Vivo do Fandango, o Museu de Ciências Naturais da UEPG e o Museu da Imagem e do Som do Paraná. Mas também fizemos parcerias com prefeituras e encontramos acervos particulares de grande importância”, completa o professor e historiador.


Assinam a curadoria de “Mundo Caiçara” os produtores culturais e músicos Oswaldo Rios e Carlos Ramos (foto abaixo). A expografia é da arquiteta e professora da UEPG, Nisiane Madalozzo, com iluminação de Gabriele Alessandra Lima Pedroso, pesquisadora bolsista do curso de História junto ao MCG. Para o diretor de Acervos e Pesquisa do Museu, Robson Laverdi, a nova mostra dialoga com a diversidade cultural que compõem o estado do Paraná e que precisa melhor ser pesquisada e conhecida. “Essa aliás vai ser a marca das exposições e dos debates de novembro do MCG”, adianta.


A mostra é uma promoção da Superintendência de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do Paraná (SETI-PR), viabilizada pela pela Pró-Reitoria de Extensão e Assuntos Culturais da UEPG (Proex). A iniciativa tem apoio da Coordenadoria de Patrimônio do Estado do Paraná (CPC), da Secretaria da Cultura e do Turismo de Guaratuba, bem como da Faculdade Isepe. A exposição tem apoio, ainda, da Secretaria da Comunicação Social e da Cultura do Paraná, da Paróquia Nossa Senhora do Bom Sucesso, da Secretaria de Turismo e Cultura de Morretes e dos projetos de extensão ‘Ações Culturais no MCG’ (bolsas Pibis e Pibex/Fundação Araucária) e ‘Cultura Caiçara e Campos Gerais: Comunidades tradicionais, diálogos e aproximações possíveis’.

Serviço

Exposição “Povos Paranaenses: Mundo Caiçara” Local: Museu Campos Gerais Entrada gratuita Agendamento de visitas e informações: museucamposgerais@uepg.br e (42) 3220-3470

Leia o texto de apresentação da mostra:

Povos do Paraná: Mundo Caiçara

Povos Tradicionais são considerados os grupos ou comunidades que se estruturam a partir de práticas culturais particulares e que, intrinsecamente, se reconhecem como singulares. Tais “Povos” possuem formas próprias de organização social, ocupam um espaço geográfico específico e se valem dos recursos naturais disponíveis tanto para sobrevivência como para a manutenção e reprodução de seus modos de vida, suas religiosidades, dinâmicas econômicas e expressões culturais. Tal definição se ancora no Decreto-Lei nº 6.040/2007 que foi instituído com a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (PNPCT) em que o Caiçara foi reconhecido como Povo Tradicional do Brasil.


Caiçaras, segundo José Carlos Muniz, são indivíduos que vivem em parte do litoral carioca e ao longo do litoral paulista, paranaense e catarinense, herdeiros da miscigenação entre o indígena, o português e o negro africano. O termo remetia a definições estereotipadas, fruto de intensa desarticulação sociocultural decorrente de múltiplos interesses. Hoje, é sinônimo de luta e resistência, contribuindo para o fortalecimento de vínculos identitários e de pertencimento.É importante lembrar que a cultura caiçara se originou a partir da interação sociocultural entre a população nativa existente no território paranaense, europeus e africanos que aqui se fixaram desde o século XVI. Tal cultura é caracterizada por sua complexidade simbólica e expressa materialmente por meio de vida própria ligada ao extrativismo vegetal, cultivo da mandioca e práticas da caça e da pesca. No campo das manifestações imateriais, também bastante peculiares, emergem práticas e rituais religiosos como a Folia do Divino e o Fandango e suas decorrências, como bailes, ensaios de grupos, compartilhamento de espaços, ritmos sonoros e comportamentais próprios, disseminadas entre as diferentes comunidades do litoral paranaense. Aqui se revelam, portanto, importantes elementos aglutinadores dessa comunidade.


As expressões culturais são assim vivificadas no presente por tais comunidades e transmitidas pela oralidade, permanência e reelaboração de saberes ancestrais, formas de interação com o meio natural e cuidado com a transmissão de valores e ações entre gerações. Em seus processos históricos os caiçaras se constituíram como verdadeira comunidade de sentido, uma vez que compartilham saberes com os ciclos naturais, de dinâmicas patrimoniais, simbologias e significados, religiosidades e linguagens específicas, com ritmos, sonoridades, sotaques e vocabulário, tudo expressando origens indígenas, europeias e negras.


Desde o século XVI tais práticas foram se interiorizando e se ressignificando; por vezes encontrando – pontualmente – ecos entre comunidades tradicionais localizadas em outras regiões do Paraná, notadamente, nos Campos Gerais. Mesmo com menor intensidade e força, ainda hoje é possível encontrar traços da cultura caiçara entre coletividades caboclas fixadas nesta região do Estado, demonstrando essa potência cultural na formação de identidades no Paraná.

Tendo em vista o encontro de culturas em movimento, no tempo e no espaço, que se fundem na abrangência da UEPG e, por sua vez, do Museu Campos Gerais, uma pergunta se impõe: qual o papel destas instituições na aproximação reflexiva, valorização e salvaguarda destes patrimônios culturais?


Sendo uma das atribuições da universidade pública a promoção de práticas de ensino, pesquisa e extensão – implicando na aproximação academia e sociedade, coprodução de conhecimentos e de interferência qualitativa nas condições socioculturais e econômicas das comunidades – o Museu Campos Gerais se propõe então pesquisar, valorizar, sistematizar, referenciar, organizar, preservar e expor diferentes matrizes culturais, tradicionais e populares, nesta oportunidade representada pela exposição sobre a cultura caiçara.


Da Assessoria

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