Cia Pé na Cova representa Ponta Grossa no Festival de Teatro de Cascavel
- culturacaopg

- 8 de mai.
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A Cia Pé na Cova representa Ponta Grossa neste sábado (9) no 37º Festival de Teatro de Cascavel com o espetáculo “Drácula”, releitura inédita do clássico gótico que transporta o vampiro para o Brasil do início do século XX. A apresentação acontece no Teatro Municipal Sefrin Filho, com entrada gratuita.
Dirigida e adaptada por Leonardo Lopes, a montagem propõe uma abordagem brasileira da obra clássica ao unir elementos do terror gótico europeu com a atmosfera cultural, musical e histórica do período de imigração intensa para o país. O espetáculo acompanha a trajetória do conde Drácula, vivido por Mateus Ribeiro, que após perder a esposa Elizabetha, interpretada por Vitória Parizotto, promete reencontrar o amor séculos depois, já em território brasileiro.
A narrativa se desenvolve a partir da chegada de Lucy, personagem de Maria Malucelli, ao Brasil para reencontrar seus pretendentes, John (Vinícius Alves) e Arthur (Leonardo Lopes), e, principalmente, matar a saudade de sua amiga de infância, Ellen (Vitória Parizotto). Porém, tudo muda quando Jonathan (Kerolyn Monick), noivo de Ellen, recebe a missão de encontrar o misterioso conde, uma situação já pressentida por Van Helsing (Arthur de Geus) nas entrelinhas do texto.
Além da ambientação sombria, a peça aposta em uma dramaturgia construída de forma coletiva entre direção e elenco. Segundo Leonardo Lopes, o processo criativo foi intenso e condensado, sem perder profundidade artística.
“Esse processo foi muito mais dinâmico. Nós já estamos acostumados a fazer processos mais rápidos, mas nem por isso eles têm menos qualidade ou menos tempo de estudo. Vamos pensar que, às vezes, o que a gente faz em um mês de processo é o que talvez outros lugares fizessem em três meses, que é o padrão médio de preparação e ensaios de uma companhia teatral. Então, em um tempo mais diluído, nós condensamos esse período e aproveitamos ao máximo os nossos encontros e também o tempo fora deles. Toda a companhia está muito acostumada a trazer a pesquisa de suas personagens de casa também.”
O diretor também revelou que criou materiais individuais de preparação para os atores, reunindo poemas, referências cinematográficas, imagens e símbolos utilizados como ferramentas para aprofundar o trabalho de interpretação e dramaturgia.
“O trabalho do ator vem de casa, vem do momento em que você está sozinho pensando. E aqui teve uma novidade nesse processo que fiz para os atores, e que me ajudou enquanto dramaturgo também: eu montei uma pequena preparação de três a quatro páginas em que, para cada um, havia poemas, poesias, livros, outros filmes e outras peças para referenciação, além de criar essa troca entre ator e diretor. Então, muitas vezes, eu jogava imagens impressionistas, expressionistas, pinturas ou até mesmo símbolos, e eu queria ver o que o ator pensava e qual daqueles símbolos ou imagens mais chamava a sua atenção. Porque isso me contava coisas do inconsciente daquele ator e daquela atriz que, mais tarde, eu utilizava na própria dramaturgia. Aí se estabelece uma conexão entre o inconsciente dele e o meu, e também com o meu consciente, mas até mesmo no meu inconsciente, nesses símbolos que se entrelaçam e acabam virando símbolos presentes no próprio espetáculo que as pessoas vão ver em cena.”
O diretor destacou que os encontros eram marcados por longas conversas sobre os materiais compartilhados entre elenco e direção.
“A gente não ficava só nesse lugar do ‘eu jogo um símbolo e depois o ator me responde’. Em todo encontro, nós sentávamos e, antes de mais nada, debatíamos e conversávamos sobre cada uma dessas coisas escolhidas e pensadas.”
Leonardo compara sua forma de criação ao trabalho de um jardineiro, permitindo que a dramaturgia cresça organicamente durante os ensaios.
“Essa troca entre a preparação que a direção propôs e o que os atores trouxeram da preparação e de casa, acaba existindo e aparecendo na própria dramaturgia. Então, eu gosto de pensar que a minha maneira de escrita, enquanto roteirista e dramaturgo, é a de um jardineiro, e não a de um arquiteto. Eu não planejo o final do meu espetáculo desde o começo. Eu vou criando esse jardim: jogo as sementes para o ator, o ator planta, ele colhe. O que precisa ser aparado, obviamente eu aparo, para que também não vire um matagal, mas para que seja algo bonito, bem cuidado. Então, eu vou fazendo essa dramaturgia conforme o processo vai passando e, aos poucos, vou liberando os atos conforme a gente vai montando e lapidando cada um deles.”
Durante o período de ensaios em Ponta Grossa, elementos climáticos acabaram contribuindo para a atmosfera construída pela companhia.
“Até uma curiosidade sobre o processo, e isso é algo mais místico, não é nada racional ou planejado: durante a maioria dos ensaios, a gente terminava no período da noite, às vezes um pouco mais tarde. E a neblina começou a tomar muito conta da cidade aqui de Ponta Grossa. Então, algo de muito mágico acontecia: a pessoa saía do ensaio com aquela imaginação da neblina, que é muito presente no roteiro, essa coisa do vento que vem do mar e depois da tempestade que o Drácula traz. A pessoa saía daqui de carro, ia para casa e via a neblina tomando conta da própria cidade. Então, algo que saía dos ensaios acabava se expandindo até pelo clima e pelo tempo. Acho que a época em que nós estamos também ajuda ainda mais a complementar essa imaginação e essa sensação vívida.”
Durante o processo de construção dramatúrgica, a direção também desenvolveu duas possibilidades distintas de desfecho para a história, explorando diferentes caminhos emocionais e simbólicos para os personagens. As duas propostas foram criadas para dialogar diretamente com os temas centrais do espetáculo e ampliar a experiência sensorial e reflexiva do público.
Serviço
Espetáculo “Drácula” - 37º Festival de Teatro de Cascavel
Data: 09 de maio
Horário: 20h
Local: Teatro Municipal Sefrin Filho - Cascavel (PR)
Entrada gratuita
Classificação indicativa: 16 anos
Ficha técnica
Direção e adaptação: Leonardo Lopes
Iluminação: Bya Paixão
Som: Renan Sota
Maquiagem artística: Kerolyn Monick
Elenco: Kerolyn Monick, Maria Malucelli, Vitória Parizotto, Jeny Hornug, Manuela Guimarães, Arthur de Geus, Leonardo Lopes, Mark Miná, Mateus Ribeiro e Vinícius Alves.
Com informações: Assessoria
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